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ENTREVISTA: Gera Requião, prefeito eleito de Catu, fala sobre o futuro governo


Geranilson Requião, o prefeito eleito de Catu (Foto: Alex Romano)
O prefeito eleito de Catu, Geranilson Requião (PT), concedeu entrevista ao Expresso Catuense e abordou diversos temas. Falou sobre as eleições, os desafios para administrar a prefeitura e sobre a composição do governo. Assuntos polêmicos também fizeram parte da entrevista, como o cancelamento do concurso público, o empréstimo e a disputa de terras entre Catu e Pojuca. Confiram a íntegra da entrevista:


Expresso Catuense – Qual a sensação de ser eleito o prefeito de Catu após 24 anos de luta?

Geranilson: A sensação de um dever cumprido. Eu sempre achei que era um dever meu, ou de qualquer outro companheiro, lutar para que pudesse oferecer à população uma outra forma de governar e lidar com todos sem distinção.


Expresso Catuense – Por diversas vezes o senhor foi candidato a prefeito não conseguindo sair vitorioso. O que teve de diferente nesta eleição e quais os principais fatores que atribui a vitória?

Geranilson: A compreensão do povo que era hora de mudar e dar uma oportunidade àquele que nunca foi. O povo estava cansado da atual gestão e não sentia confiança no outro candidato que já ocupara o cargo.  Muitos companheiros que em outras eleições não estavam com a gente passaram a apoiar a nossa candidatura. Os jovens, as crianças, os estudantes e os trabalhadores, foram decisivos para a nossa vitoria.


Expresso Catuense – A sua campanha teve como um dos pontos centrais a ligação da sua imagem ao do ex-presidente e petista Lula, assim como o uso da imagem da presidenta Dilma. Da mesma forma ficou perceptível que o jeito PT de fazer campanha foi incorporado com uma campanha mais popular se aproximando muito forte dos segmentos mais carentes do município. Podemos esperar uma gestão com o jeito PT de governar?

Geranilson: Claro. O governo do PT deu certo com Lula e está dando certo com a presidenta Dilma e com o governador Wagner. Temos exemplos como Vitória da Conquista onde o PT já governa por muitos anos.


Expresso Catuense – Quais as principais dificuldades acredita que encontrará na prefeitura de Catu?

Geranilson: No primeiro momento, adequar a máquina administrativa as reais condições em que o município pode suportar. Melhorar o atendimento no Hospital Municipal, colocar os PSFs em funcionamento e os salários atrasados dos funcionários em gestões passadas que se encontram na justiça.


Expresso Catuense – Como avalia o governo da atual prefeita Gilcina Carvalho e o que poderá ser aproveitado da atual administração na sua gestão?

Geranilson: Ruim. O povo, e inclusive os seus adversários, esperavam uma verdadeira revolução principalmente na educação, em função da mesma vir de um grupo que tinha tradição e história no ensino na Bahia. Assim como tendo como Patrono um grande empresário, a facilidade da implantação de um parque industrial no município, onde atrairia grandes empresas para geração de empregos.


Expresso Catuense – Quais serão as prioridades do seu governo no primeiro ano de mandato?

Geranilson: Educação, saúde e segurança. São três itens básicos na vida de qualquer cidadão. Os outros iremos resolvendo aos poucos. Infelizmente, tudo se acabou e só temos que reconstruir. A Rodoviária é um exemplo que não pode esperar porque o povo precisa e está prejudicando justamente a grande maioria que é aquela que precisa viajar de ônibus.


Expresso Catuense – Duas das suas principais promessas de campanha foi a implantação do Hospital da Mulher e a criação da Secretaria da Juventude. Em quanto tempo pretende viabilizar estas promessas?

Geranilson: No primeiro momento iremos fazer o projeto para a instalação do Hospital da Mulher e não temos uma data para a sua implantação. Será uma parceria com o Governo Federal. Gostaríamos de já iniciar 2013 com a nova Secretaria da Juventude implantada. Não será possível porque dependemos de uma reforma administrativa, coisa que não conseguiremos na atual administração.


Expresso Catuense – Recentemente o concurso público convocado pela atual administração causou a maior polêmica, sendo suspenso após uma ação judicial. Por que o senhor foi favorável a esta suspensão? O quanto este concurso poderia prejudicar a próxima administração?

Geranilson: Não só eu, mas toda a população [foi favorável a suspensão do concurso]. Foram oito anos para o preenchimento das vagas existentes e nada foi feito, inclusive com ações do Ministério Público, cobrando que fosse realizado o concurso. Após o resultado das eleições é que se tomaram essas decisões e muitas outras com a nítida intenção de prejudicar o próximo gestor e diga-se de passagem, o município.


Expresso Catuense – A realização de concurso público também foi uma das promessas de sua campanha. Acredita que o concurso poderá ocorrer ainda em 2013?

Geranilson: Acredito que sim. Após a organização de todo o quadro funcional iremos fazer o levantamento em todos os setores que faltam funcionários e iremos preencher essas vagas através do concurso. Para você ter ideia do descalabro, em maio de 2012 a Câmara aprovou uma reforma administrativa onde foram criados mais de 100 cargos comissionados e agora, após as eleições, a gestora mandou um Projeto de Lei extinguindo esses mesmos cargos, donde se presume que o projeto foi eleitoreiro.


Expresso Catuense – Uma das maiores polêmicas na política catuense dos últimos anos foi o interesse da prefeita em tomar um empréstimo de R$ 10 milhões, mesmo com ampla rejeição popular. Na ocasião, um vereador chegou a afirmar que ao final da votação recebeu os “pêsames” do senhor por ter votado a favor do empréstimo. Agora, a prefeita pede que seja revogada a autorização do empréstimo na Câmara. Há possibilidade do empréstimo ser contraído durante a sua administração?

Geranilson: Fui contra o projeto por tratar-se de mais um eleitoreiro. Ao apagar das luzes, a gestora procura um empréstimo de tal porte apenas para consertar o erro de sete anos de desgoverno. Garanto que se fosse no início da atual gestão [da prefeita] seria favorável, desde quando o projeto mostrasse claramente os benefícios que seriam implantados para a população. Sim [sou favorável a um empréstimo], desde quando o município não disponha de recursos para implantar os programas necessários a satisfazerem os interesses da comunidade. Temos exemplos de cidades vizinhas que fizeram empréstimos para suprir as demandas existentes na administração em um curto espaço de tempo.


Expresso Catuense – Em entrevista recente ao site Bocão News, o senhor afirmou que o problema envolvendo Catu e Pojuca na disputa das terras era questão de dinheiro e que o acordo era a medida mais indicada. Você acredita que conseguirá resolver a questão das terras?

Geranilson: Acredito que sim. Na verdade a população dessa área em litígio muito pouco tem recebido dos dois municípios. Com certeza com um novo diálogo com a próxima gestão do município de Pojuca iremos encontrar uma solução que atenda aos dois municípios.


Expresso Catuense – Catu registrou uma taxa de desemprego de 17,5% e 30% de informalidade, isto é, trabalhadores sem carteira assinada, segundo o IBGE. O emprego é apontando como um dos principais problemas a ser resolvidos em Catu. Quais as medidas que pretende adotar para estimular a geração de emprego no município?

Geranilson: Programa do primeiro emprego, fortalecimento do SINE, fortalecimento do comércio, atração de novas empresas e incentivos fiscais para absorção da mão-de-obra local.


Expresso Catuense – 1 a cada 4 catuenses se encontra em situação de pobreza ou pobreza extrema. Quais as políticas de combate à pobreza que estão sendo pensadas para o seu governo?

Geranilson: Ampliar os programas sociais existentes do governo federal, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, estímulo aos estudantes e incentivar a população da zona rural através do programa de agricultura familiar, levando sementes, tecnologia, água, luz e máquinas.


Expresso Catuense – A infraestrutura é outro desafio a administração municipal. São inúmeras ruas sem pavimentação, sem esgotamento, com iluminação precária, entre outros problemas. Sendo a infraestrutura um dos mais caros investimentos para implantação, como pretende obter recursos para realizar as obras?

Geranilson: Formaremos uma equipe para elaboração de projetos para conseguirmos a parceria com os governos estadual e federal.


Expresso Catuense – Na última avaliação do IDEB, índice que mede a qualidade da educação, Catu teve o pior resultado entre os municípios da região. O que será preciso fazer para reverter este quadro?

Geranilson: Uma equipe capaz de desenvolver um bom trabalho, requalificação dos profissionais, assim como melhores condições de trabalho e de aprendizado. O aluno também tem que sentir vontade de frequentar a escola.


Expresso Catuense – Há pressão dos apoiadores de campanha para composição do governo? A escolha baseada em critérios técnicos irá prevalecer sobre a escolha política?

Geranilson: Não há pressão. Todos os companheiros dos diversos partidos que compõem a nossa base são conscientes que iremos fazer a escolha conjuntamente e prevalecendo sempre o lado do conhecimento técnico.


Expresso Catuense – Já existem definições de nomes para ocupar as secretarias?

Geranilson: Os nomes já existem, porém, como temos várias opções, estamos conversando para chegarmos a um consenso.


Expresso Catuense – O grupo do candidato adversário nas eleições conseguiu fazer o maior número de vereadores. Ainda assim, já há uma sinalização dos vereadores que não irão fazer oposição ao seu governo. Contudo, o histórico da Câmara mostra que a relação Câmara x Prefeitura muitas vezes se deu com base no favorecimento para a aprovação de projetos, como cotas de carros e cargos na prefeitura, quando não práticas piores que são difíceis de provar. Caso venha a acontecer, como pretende lidar com esta prática?

Geranilson: A eleição já passou e a administração vai focar nos elementos essenciais ao bom desenvolvimento do município.  A verdade é que temos vereadores eleitos por diversos partidos, porém, tenho certeza absoluta que todos estarão unidos pelo mesmo objetivo, que é desenvolver uma política de interesse de todo o povo catuense. 


Att,
Expresso Catuense


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